Brasil tem boas condições para enfrentar crise financeira internacional, diz Ipea
O Brasil está bem preparado para enfrentar o agravamento da crise financeira internacional, e o momento atual pode até ser uma oportunidade para que o País faça alterações em sua política econômica. As afirmações estão em um estudo divulgado na quinta-feira (18), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Comunicado do Ipea nº 107 - O Brasil ante a crise financeira -, analisou cinco fundamentos importantes da economia (Produto Interno Bruto - PIB, crédito, inflação, fluxo de capitais e contas públicas) para traçar um quadro sobre a capacidade do País para responder a um possível agravamento da crise.
O estudo ressalta que a economia brasileira não está mais em um momento de aquecimento, o que afasta o risco de uma freada brusca, e a inflação está aparentemente sob controle, favorecida pela queda nos preços das commodities. Diferentemente de 2008, até o momento não houve restrição de crédito para o consumo e a produção, principal correia de transmissão da primeira fase da crise financeira.
“Em 2008, houve um problema grave de liquidez nos bancos das economias centrais, por causa de uma diminuição patrimonial com o subprime. Esse não parece ser o cenário atual”, argumentou Cláudio Hamilton, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea.
Dívida pública
Os superavits elevados nas contas públicas foram mantidos nos últimos meses, o que ocasionou uma redução na dívida pública líquida. “Uma possível desvalorização do real por causa da crise não vai afetar o endividamento público, como ocorreu nas crises de 1999 e 2002. As dívidas do governo brasileiro não estão mais indexadas ao dólar e temos reservas elevadas. A crise pode provocar, na verdade, uma redução do endividamento”, explicou o técnico do Ipea.
O comunicado alerta, no entanto, que existem algumas fragilidades. A principal delas é o passivo externo privado, que cresceu significativamente desde 2008, estimulado pelo grande volume de capital especulativo que ingressou no País. “O efeito disso é a deterioração progressiva da situação dos deficits em transações correntes”, constata o documento.
Como a inflação parece não ser mais um problema, o comunicado aponta a queda nos juros básicos da economia (Selic) como uma das formas de estimular a demanda, melhorar o equilíbrio fiscal do estado e desestimular o ingresso de investimentos especulativos. “O Banco Central tem disponíveis todos os instrumentos que tinha em 2008 para estimular a economia, e um deles é a taxa de juros”, concluiu Hamilton.
Fonte:
Ipea
19/08/2011 12:05
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