Seis mamíferos com patas em forma de casco, como antas e queixadas, estão em risco de extinção no Brasil



Seis espécies de mamíferos com casco (ungulados) estão vulneráveis à extinção no Brasil, segundo constatou um grupo de estudiosos do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação dos Predadores (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e do Grupo de Especialistas em Conservação e Reprodução (CBSG) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Do total de espécies, a anta e os taiassuídeos – porcos-do-mato, catetos, queixadas– enfrentam situação ainda mais grave, com extinção em algumas regiões e espécies criticamente ameaçadas na Caatinga e Mata Atlântica. Além dessas espécies, o grupo constatou que outras três espécies apresentam dados insuficientes para avaliação e duas estão em situação não preocupante.

Um exemplo, apontam os estudiosos é o queixada Tayassu pecari. A situação da espécie é preocupante , uma vez que não há nenhuma população da espécie na Mata Atlântica em tamanho suficiente para isentá-la do risco de extinção local súbita, o que já aconteceu em grandes áreas protegidas, como o Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, e o Parque Estadual do Morro do Diabo, em São Paulo.

Os cervídeos, antas e porcos-do-mato do Brasil, conhecidos como ungulados, ou mamíferos dotados de cascos, têm ciclos de vida longos, com características que revelam a vulnerabilidade: demoram anos para começar a se reproduzir, passam muito tempo em gestação e alguns vivem em grupos facilmente reconhecíveis. Eles estão ainda entre as espécies mais populares como alvo de caça.

A oficina para avaliação do estado de conservação das espécies de ungulados do Brasil, promoveu avaliações específicas, por bioma, para antas e porcos-do mato. Os estudos permitiram traçar um quadro detalhado da situação, uma vez que em cada um dos biomas há diferenças extremas no estado de fragmentação do habitat, magnitude das pressões antrópicas (do homem) e tamanhos populacionais das espécies. 


Biomas

Outro resultado alarmante da oficina foi o mapa da Amazônia com exclusão das áreas onde a pressão humana já pode ter eliminado as espécies cinegéticas (alvo de caça), como em faixas de 5 quilômetros ao redor de assentamentos. O mapa, elaborado pela analista ambiental do Cenap Lilian Bonjorne, mostrou que cerca de 20 a 25% do bioma já não podem mais ser considerados áreas para conservação de antas e queixadas, o que põe em xeque o conceito de Amazônia como imensa área imperturbável por pressões humanas.

O trabalho foi conduzido pelos coordenadores de táxon José Maurício Barbanti Duarte (Nupecce/Unesp), Emília Patrícia Medici (IUCN/Tapir Specialist Group), Alexine Keuroghlian (WCS Brasil/IUCN Peccary Specialist Group) e  Arnaud Léonard Jean Desbiez (Royal Society of Scotland/IUCN Peccary Specialist Group/ IUCN CBSG Rede Brasil) e pela analista ambiental do Cenap/ICMBio Beatriz de Mello Beisiegel.

Além deles, participaram do trabalho 18 especialistas de outras instituições, como UFPR, UFMT, UFPE, Ufez, Inpa, IPE, Instituto Biotrópicos, Projeto Carnívoros do Iguaçu, Programa de Conservação dos Mamíferos do Cerrado, Fiocruz e Michelin.


Fonte:
ICMBio



18/02/2011 16:54


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