Alunos prejudicados poderão fazer novas provas do Enem, diz Haddad



Os alunos prejudicados por falhas na realização do Exame Nacional do Ensino Médio ( Enem ) poderão realizar novas provas sem prejuízo para a comparação de seus resultados com os obtidos pelos alunos que fizeram a primeira edição do exame. A garantia foi apresentada nesta terça-feira (16) pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, aos senadores da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

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Durante a audiência pública, realizada a partir de requerimento dos senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Romero Jucá (PMDB-RR), o ministro ressaltou que a utilização no Enem da "teoria da resposta ao item" permite que se realizem diversas edições da prova com o mesmo critério de dificuldade. Dessa forma, explicou, existe a possibilidade de comparação dos resultados obtidos nas diversas edições do exame.

A metodologia, informou o ministro, é a mesma utilizada em exames internacionais, como o Pisa e o norte-americano SAT, que chega a ter sete edições anuais. Por isso, observou, não seria estranha ao meio acadêmico a realização de várias edições da mesma prova. E uma nova prova do Enem poderá ser aplicada, a seu ver, aos cerca de 20 mil alunos em cujas provas foram verificados "erros graves" de impressão.

- Nenhum sistema dessa proporção está imune a falhas técnicas. Quando ocorrem falhas, temos que procurar uma solução cabível que não o cancelamento da prova - afirmou Haddad, após lembrar que já foram registrados, em 14 edições do Enem, problemas tão imprevistos como o de um raio que deixou uma cidade de Minas Gerais sem energia na hora do exame.

Ele observou ainda que existem apenas duas gráficas no país capazes de imprimir com segurança as provas do Enem. A primeira foi contratada no ano passado, quando ocorreram falhas de segurança que permitiram o roubo de provas. Neste ano, a segunda gráfica "também falhou", como recordou, mas desta vez na impressão de um caderno de questões.

O ministro criticou duramente a realização do exame vestibular tradicional, que não existe mais em países da Europa e da América do Norte. Pelo atual sistema, recordou, estudantes são obrigados a pagar taxas elevadas de inscrição para prestar exame a apenas uma instituição. Existem ainda estudantes, observou, que viajam pelo país para prestar vestibular em diferentes cidades. Para ele, não há outro caminho a ser adotado pelo ministério, a não ser o de insistir no aperfeiçoamento do Enem e superar o "anacronismo" do vestibular tradicional.

- Alguém precisava enfrentar esse bicho com a coragem devida - disse ele.

O ministro classificou de "superáveis" as falhas registradas na realização do Enem e pediu que se preservem as instituições responsáveis pelo exame, como o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Os indivíduos "vão e vêm", como recordou, mas as instituições envolvidas estariam tomando todas as providências para resolver os problemas ocorridos.

Haddad ressaltou ainda o papel do Enem na democratização do acesso ao ensino superior no país. A importância do exame, lembrou, cresceu a partir de 2005, quando seus resultados passaram a ser usados na seleção dos alunos a serem beneficiados com bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni). Ele informou que o Enem já é utilizado para a seleção de 150 mil alunos do ProUni, além de 83 mil nas universidades federais. Segundo o ministro, três quartos dos alunos inscritos no Enem não pagam a taxa de inscrição. E o exame é realizado em 1600 municípios brasileiros.

- Estamos transformando o gargalo que existia em uma banda larga de acesso ao ensino superior - afirmou Haddad. 



16/11/2010

Agência Senado


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